sábado, 11 de maio de 2019

JOSÉ RAMOS FLOR MONTEIRO, "TENETE RAMOCIM".

JOSÉ RAMOS FLOR MONTEIRO, O TENENTE RAMOCIM 
Por Raimundo Flor Monteiro

"Oh Raimundim carroceiro...
Oh Tenete Ramucim". 
(Manoel Flor)

Frei Hermano, batizando de Raquelzinha, a primogênita de 
José Ramos. É como se fosse minha filha, de tanto ninar
que eu fazia a ela.
Versos que meu pai, Manoel Flor Monteiro, alegre, cantarolava montado no varal de uma carroça ao nos conduzir em seus trabalhos diário. Em dado momento, comecei a resmungar e  meu pai perguntou porque eu choramingava. E lhe expliquei porquê é ele o tenente e eu apenas o carroceiro. Foi aí que vi a sabedoria do meu pai. ele me respondeu com outra pergunta, "você tiraria de seu irmão a oportunidade ser tenente". Prontamente lhe respondi, não. "Então para de choraminga e lute pra ser também um tenete". Dali pra frente acreditei que, graças ao meu pai eu poderia ser tudo de bom que quisesse, mais para isso teria que trabalhar muito. essa ensinamento fortalece meu ego até hoje. Não reclamo de ninguém, pois as coisas dependem quase tudo de mim mesmo. José Ramos era meu irmão menor e não mais fiquei preocupado dele ser. 

José Ramos Flor Monteiro, nasceu num dia de "Domingo de Ramos" de 1958, na Trizidela, em Bacabal do Maranhão. Cresceu sadio, alegre e brincalhão. Casou-se aos dezenove anos com Zélia Maria de 18 anos, em cuja união teve 05 filhos: Raquel, Rafael, Rafisa, Rani e Rogelma. Desde garoto adorava pescar e caçar, atividade na quais era exímio praticante, em se contando que, desde garoto, era também excelente em tudo que fazia. Estudar sempre ficou para segundo plano, apesar de possuir uma inteligência majestosa que o levava a aprender tudo com muita facilidade. Estudou no SENAI de Bacabal, na década de 80, durante 02 anos, se formando em torneiro mecânico, chegando a ministrar aulas de tornearia. Porém, para ser efetivado como professor de tornearia mecânica, ele teria que concluir o antigo 2° grau. Apesar de toda minha insistência ele optou por desistir.

Mas foi assim, trabalhando com Evangelho que veio a aprender os ofícios de pedreiro de alvenaria e acabamento, armador de ferragem, encanador de água e de eletricista, profissões nas quais foi mestre com extrema desenvoltura. Era uma pessoa admirável porque, como dizia meu Tio Luís, em tudo que ele tocava virava ouro.

Aos seis meses de idade, quando ele e eu estávamos na calçada de nossa casa, na rua Maneco  Mendes, José Ramos foi mordido nas costas por Gilmário, filho  de Nezim. Eu tinha 2 anos e me assustei ao ver o sangue jorrar em suas costas e saí gritando por socorro.  Desde então, eu com 2 anos, tomei consciência  e amor pelo meu irmão e fiquei com aquela imagem de que meu irmão, por ser menor, precisava de minha proteção.

Acompanhei a luta de mamãe para que José  Ramos pudesse aprender a ler, escrever e contar. Ele não queria, não gostava da escola, uma vez que sua diversão maior era caçar de baladeira e pescar. Quando ainda menino caçava com baladeiras tornando-se exímio atirador. O produto de suas caçadas era sempre um juntos repleto de aves, dentre elas fogo-pagô, socó, pomba do ar, jaçanã, dentre outros tipo ciente e até beija-flor. Quando entrou na adolescência adquiriu uma espingarda, se firmando como exímio atirador. Então, de mutum a jacú, nos comíamos lá em casa. Desse relato, cabe enfatizar que éramos pobres e sem instrução elementar, portanto, não tínhamos a mínima noção do preceitos ambientais  e de preservação que todos tem hoje. Meu irmão  caçava apenas para consumirmos, não vendíamos, não.
Em minha vida conheci muitas pessoas inteligentes, todavia, conheci poucos como o meu irmão Ramos. No fundo do meu ego, a exemplo do que afirma Freud (1856-1939), na herança do meu imaginário popular, a exemplo do que afirma Jung (1875 a 1961) eu sabia que "tudo que a mão de meu irmão tocasse, virava ouro". Se íamos pescar ele de pronto pescava muitos e abundantes peixes. Tudo que fazíamos lográvamos exito. Um cara incrível, eu tinha orgulho de ser seu irmão. Não consigo lembrá-lo sem que as lágrimas me venham aos olhos. Era dois anos mais novo que eu, poderia esta vivo, se tivesse permanecido no caminho de sua mulher, minha comadre Zélia, e seus filhos. Mas, quem julga é Deus, só me cabe lamentar e rezar por ele.
JOSÉ RAMOS E FAMÍLIA - RAQUEL, RAFAEL E RAFISA.



MINHA COMADRE ZÉLIA AOS 24 ANOS

ESSE JOVEM CASAL ERA UMA ALEGRIA SÓ - EU IA QUASE TODOS OS DIAS VÊ-LOS E BRINCAR
COM  OS MENINOS

AOS 26 ANOS, NO VIGOR DE SUA FORÇA FÍSICA.


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