A MATRIARCA ELVIRA ROSA MONTEIRO
POR: Raimundo Flor Monteiro
I - INTRODUÇÃO
É no âmago dessa estruturação familiar específica que está o casal Manoel Flor Monteiro e Elvira Rosa Monteiro, os mentores que dão origem a família, ou seja, viemos deles, somos a imagem e a perfeição deles que são nosso pai e nossa mãe.
A exemplo da canção de Belchior, "ainda somos os mesmos e vivemos, como nossos pais", eles permanecem corroborando conosco modelando nosso comportamento, atitudes e ações. Em especial e essencialmente para que os descendentes diretos que são os filhos netos, bisnetos e até tataranetos. Nós caminhamos pelos passos que eles deram na vida para sermos lúcidos e equilibrados.
Desse modo, no seio da família monteiro, em sua 2ª, 3ª, 4ª e 5ª geração, encontramos uma família patriarcal, sem muitos recursos financeiros, na escala do capital considerada pobre, mas tendendo a classe média baixa, uma vez que nunca passamos fome. Mas se considerarmos a escolaridade, só nossos pais sobreviveram sem o domínio da leitura, escrita e o cálculo. O diferencial dessa família é que se caracteriza por uma base de poder matriarcal/patriarcal, pela participação efetiva e decisiva da matriarca dona Elvira Rosa Monteiro na educação dos filhos, no trabalho í nos negócios necessários ao sustento da família. Desse modo, pelo seu notável desempenho de luta para sobreviver e harmônia nas relações sociais internas e externas, torna-se um dos eixos preponderantes de humanização dos filhos, netos e bisnetos pelo respeito, consideração, equilíbrio emocional, afetividade, carinho e amor. Respectivamente 3ª 4ª e 5ª gerações da família.
II - METODOLOGIA:
recorremos a "dialética histórica" apoiada nas contradições identificadas na real luta
pela sobrevivência, através da técnica da entrevista, para elencarmos a trajetória de
vida do casal monteiro, iniciada com os marcos históricos de nascimento de Manoel Flor, em 1917, e de Elvira Rosa, em 1920, que continua em 1939 com a união do casal. Vai até 1998 quando do falecimento de Manoel Flor e se prolonga até 2018, data quando nos deixou Elvira Rosa, até os dias de hoje. Sempre muito lúcida, Dona Elvira preservou em sua mente as principais histórias, fatos e desafios da família, nas quais se situam o esforço heroico nas lutas diária para manter sua família dentro do perverso sistema capitalista, que reduz os espaços de sobrevivência para as famílias que não detém intelectualmente a posse da leitura, escrita e do cálculo e consequente bem materiais necessários a uma boa qualidade de vida.
a) ENTREVISTA:
espaço dialogal de alternância de relatos históricos que aconteceram entre o receptor, autor dos questionamentos, no caso Raimundo Flor Monteiro o entrevistador e
a emissora narradora das histórias de vida da família, no caso Elvira Rosa
Monteiro. A entrevista orientada pré-elaborada, contém os questionamentos sobre
a trajetória de vida do casal e a implacável luta pela boa sobrevivência dos filhos, netos e bisnetos. Neles estão
implícitos os históricos esforços desenvolvidos e aplicados na resolução de problemas que lhes custaram muito suor, contudo necessários a boa sobrevivência.
b) ENTREVISTADOR:
a entrevista foi elaborada por Raimundo Flor Monteiro. O agente coletor
informações é o quinto filho do casal. As entrevistas aconteceram durante uma
série de visitas a Bacabal, nas quais o entrevistador deslocava-se de sua
residencia em São Luís para visitar sua mãe e parentes em Bacabal. Não
obstante, com Dona Elvira passava horas e horas conversando na coleta de dados e informações junto a matriarca. Em
algumas entrevistas as informações foram coletadas através de anotações, outras
gravadas e algumas até memoriadas e depois postas no papel.
III - VIES METODOLÓGICO DO RELATO
Endossando o que ja afirmamos acima, buscamos produzir um relato bibliográfico, sócio-histórico - antropológico de Elvira Monteiro, dentro do que o meio acadêmico convenciona tratar por demandas sociais comunitárias. Essas podem ser do meio rural, quilombolas, indígenas, ribeirinhos e/ou até de atividades extrativistas, tais como pescadores, juçareiros, castanheiros e outros, tidas como "populações tradicionais".
_Daí o registro histórico do esforço de sobrevivência e posterior manutenção de sua família, tendo como protagonista Elvira Monteiro. No início, por ser do meio rural, de buscar nessas relações sociais no campo, romper com o "processo de adaptação passiva" peculiar daquele meio desprovido de recursos. Ela busca incessantemente um "contexto de mudanças ativa" no seu modo de vida, através do convívio com outras práticas, tecnologias e arranjos organizacionais, característica dos centros urbanos, no caso, a capital Teresina e posteriormente a cidade de Bacabal.
_Assim, Elvira Monteiro por se adaptar ao campo e migrar para a cidade, consegue se destacar em sua história de vida, a medida que sua influência passa a reger a história do seu grupo familiar e do meio circunvizinho ao qual pertence, em estreita relação de adaptação que ela mantém com a natureza em sua ecologia cultural. Ou seja, de sua capacidade de adaptação as contingências do meio que ao invés de a inibirem, ao contrário, a estimula a explorar mais e mais para subsistir.
IV - UM POUCO DA BIOGRAFIA DE ELVIRA ROSA MONTEIRO
Foi na década de 20 quando os EUA, após a primeira grande guerra, ganhava corpo para se tornar a nação mais poderosa do mundo. Foi quando o Brasil em 07 de setembro de 1920, através do Presidente Epitácio Pessoa assina um decreto, que institui a Universidade Federal do Rio de Janeiro, eis que 06 dias antes, a 1o de setembro de 1920, nascia, no sertão do Piauí, uma menina chamada Elvira Rosa Monteiro.
_Menina pobre de São Felix do Piaui, aos 11 anos começou a trabalhar, ante a perda prematura de sua mãe. Cuidava tão bem de seus irmãos, entre os quais 03 menores: duas meninas e um menino, ambos paralíticos, acometidos que foram pela paralisia infantil, que seu pai Serafim Monteiro da Silva a chamava de "menina mulher". Além de cuidar dos seus irmãos era da pequena Elvira a tarefa de preparar a comida e lavar roupas, sem contar que Elvira tinha também a incumbência de não deixar que as aves arribação, papagaios e periquitos, bundantes naquela região do Piauí, comessem o arroz, o feijão e milho recém plantados da roça de seu pai.
_Aos 14 anos convenceu seu pai a comprar-lhe uma máquina de costura, com a qual aprendeu a modelar e costurar diversas peças de vestimenta. Fiquei surpreso quando Elvira me confessou que aprendeu sozinha, desmontando as peças de roupas e depois as reconstruindo. É interessante frisa que naquela época Elvira ainda não era alfabetizada, contudo já aprendera sozinha a usar o famoso método hoje em voga, conhecido como "engenharia revessa".
_Se destacando como ótima costureira, foi através de Elvira que Serafim Monteiro, seu pai, começou a comprar e ampliar sua propriedade de criação de bodes, ovelhas e a engordar suas galinhas, subsidiado que era pela produção e venda das confecções produzidas por sua filha Elvira Monteiro. Não obstante, aqui e aculá, o senhor Sarafim não precisava mais recorrer a empréstimos pra ninguém, a não ser para sua filha Elvira. Assim, Serafim, já com um bom patrimônio tratou de arrumar uma entiada para Elvira e seus filhos, ou seja, uma nova esposa, a Sra Enedina, para aliviar Elvira do excesso de afazeres.
_Em 1939 aos 19 anos Elvira conheceu Manoel Flor Monteiro e se casou com ele. A casa e os móveis do casal foram custados pela própria Elvira que já ganhara fama de excelente costureira naquela região da Baixa Grande, São Felix e Santa Cruz dos Milagres do Piauí. A felicidade do casal se intensificou com a chegada dos filhos: o primogênito "o grande Evangelho Monteiro", depois a "princesinha Elpídia Monteiro" e mais tarde a "moreninha Chagas de Cristo". Esses nomes eram pseudônimos, ou como queiram, eram apelidos carinhosos que Manoel Flor e Elvira colocavam nos seus queridos e amados filhos.
_As crianças cresciam e o sustento da família era oriundo da confecção produzida por Elvira em sua máquina de costura e da compra e venda de galinhas que Manoel Flor comprava no interior e revendia em Teresina, no mercado da piçarra da capital.
_Mas Elvira, na primeira metade da década de 50, estava muito preocupada, preocupada com o futuro dos seus filhos. Decidida ela resolveu a vender tudo e rumar para Teresina com fito único, pautado no objetivo de colocar seus filhos na escola, para estudar e serem alguém.
_Imbuída dessa nobre missão de educar os filhos para garantir a todos dias melhores, estabeleceu-se no Bairro da Piçarra em Teresina Piauí, onde prosperou como costureira ao mesmo tempo em que seu marido Manoel Flor, explorava a atividade de vendedor de água retirada de um poço de propriedade da família. Com as crianças na escola, seu filho mais velho, o Evangelho é influenciado e encaminhado por ela para servir o exército brasileiro, o 25o BC - Batalhão de Caçadores. Desse engajamento de seu filho no exército do contato com os oficiais foi que Elvira, através de um contrato de prestação de serviços, passa a confeccionar as fadas dos oficiais e soldados. A família próspera nos ganhos a medida que investem na aquisição de dois imóveis em Teresina, ao mesmo tempo em que Elvira inicia-se no ramo do comércio. Ou seja, abre uma "quitada" para oferta de secos e molhados, produtos de primeira necessidade.
_Em Teresina a família se ampliou com a vinda de mais dois filhos: a "linda Maria de Lourdes Flor Monteiro" e o, como seu pai o chamava "carroceiro Raimundo Flor Monteiro".
_Já em 1958, com uma prole composta por 05 filhos vendem todos os seus pertences e rumam para Bacabal do Maranhão, tida como cidade próspera pelo significativo numero de usinas de pilar arroz, enorme produção babaçu e destaque na pecuária e na produção agrícola.
_A família se estabelecera brevemente na atual Rua Maneco Mendes, passando menos de um ano mudou-se para a rua do Tucum, hoje denominada de Rua Maria Helena, onde permaneceu até o seu falecimento.
_Aqui em Bacabal, Elvira tomou a decisão de trabalhar apenas no seu comércio de secos e molhados, enquanto Manoel Flor trabalhava de carroceiro e mais tarde de vazanteiro.
_Foi na labuta que o casal construiu a 1a casa de tijolo da Trizidela, possuiu o 1o rádio transglobo com o qual assistimos a copa do mundo de 1970, e a 1a tv a passar a novela selva de pedra da globo.
_A família se ampliou em Bacabal com a vinda de mais dois filhos o "tenente José Ramos de Flor" e o "príncipe Manoel Filho".
_Empreendedora, Elvira foi juntando as economias do seu pequeno comércio e investido na aquisição de imoveis, os quais alugava e dele gerava novos recursos a serem reinvestidos. Em 1999 após a morte do esposo Manoel Flor, resolveu passar a atividade do comércio para seu filho Evangelho e continuar trabalhando apenas na administração dos seu bens.
_Assim, Elvira veio a falecer em 28/12/2018, aos 98 anos de idade, após dois anos do falecimento do seu filho caçula Manoel Filho, fato que lhe deixou muito triste e abatida, a exemplo dos falecimentos anteriores de sua filha Maria de Lourdes e de seu filho José Ramos de Flor.
_Essa sucessão de falecimentos dos seus filhos tiraram um pouca a sua alegria mas nunca a sua determinação de vencer e deixar todos bem. Essa história de luta pela sobrevivência e por dias melhores sempre foi uma constante na vida de Elvira. Mas o que mais me impressionou em Elvira foi o seu caráter ético. Ela era decidida em fazer tudo as claras e transparente, era positiva quanto aos resultados, dinâmica e pujante na ação. Jamais se abatia, nunca admitiu que seus filhos ficassem fora da escola. Daí, nos anos em que a oferta de vagas nas escolas públicas de Bacabal não foi o suficiente para incluir seus filhos, em escolas públicas como Bandeirante, Municipal, Arimatéia Cisne, 1u7 de Abril, Estado do Ceará, ela, com muito sacrifício, custeou a educação de todos nas escolas particulares, tais como o Colégio Santa Rosa, Gunnar Vingrem, o Governador Sarney, Batista e até a Escola NS Fátima da ilustre professora Alice Mendes. Estas foram algumas das escolas nas quais, passaram os filhos de Elvira.
_Elvira sempre foi decidida a alcançar seus objetivos, quanto ao planejamento e a sua execução era pragmática e consensualizadora. Das várias vezes que a vi enfrentando o seu o marido Manoel Flor, foi para garantir que os seus filhos não faltassem a escola, um objetivo fixo de longo prazo que ela não deixava se depreciar ao longo do tempo.
_Assim, por essas e tantas outras que eu teria para citar é que reafirmamos que após o seu falecimento, Elvira Rosa Monteiro deixa um legado muito interessante, esse cabedal é composto por ensinamentos apreendidos por ela na escola da vida, e se está composto por atitudes empreendedora positivas e preventivas, otimismo, autenticidade, visão de futuro, empatia e perseverança, dentre outros. O legado proveniente da dinâmica da vida familiar e social de Elvira são dignos de serem estudados, ou pelo menos sirva de reflexão para seus familiares e demais interessados.
_Sobre as boas consequências das escolhas individuais, Elvira afirmava com todas as letras que os bons frutos a serem colhidos no futuro, dependiam de um árduo e firme trabalho de plantação, que começa com a limpeza do terreno, adubação, plantio e uma boa frequência no limpar e regar, pra depois, no momento certo poder colher. Ela nos aconselhava sempre a não cairmos na armadilha dos desonestos que querem colher sem suar, sem aplicar uma força que os faça sentir o sal do suor do rosto. Para ela os que assim procedem, na inércia, querendo ganhar sem se esforçar, dizia, são os desonestos. Esse pensamento de Elvira converge com a teoria que afirma que "só o trabalho gera riqueza", e que o problema dos que vivem na inercia é querer viver do suor dos outros, ou seja, da especulação.
_Suas atitudes firmes e decididas sempre me fizeram crer que ela, não sei como, nem onde, conheceu Paulo Freire, um quase seu contemporâneo que nasceu em 1921, um anos após seu nascimento em 1920, e se tornou conhecido no mundo inteiro. Elvira, fico conhecida apenas no berço de sua família e imediações de suas ações, mas conservava alguns desses princípios da pedagogia freiriana no âmbito da família.
_Apesar de ter pouco domínio da leitura, mais ser capaz de compreender o universo social na luta micro e macro econômica para a sobrevivência, Elvira sabia e nos convencia, o tempo todo de que só é possível ler o mundo se dominarmos as ferramentas e instrumentos da leitura, da escrita e do cálculo, além de nos apropriarmos das ferramentas técnicas e tecnológicas que nos subsidie e nos situe nas práticas atualizadas do hoje, para que no universo do real, possamos explorar com sapiência o mundo futuro do amanhã.
_Mas Elvira trazia em si a natureza reflexiva e calculista, nessa leitura de mundo, para ela, para que se pudesse ter exito na vida, teriamos que considerar as especificidades do ser humanas. Para isso, Elvira sempre ajudava as pessoas que se encontravam em estado de vulnerabilidade social, coisa comum no Bairro Trizidela nas décadas de 50, 60, 70, 80 e até os anos 90. Em sua religiosidade iniciou os filhos no caminho da espiritualidade cristã, ensinando-lhes a rezar o pai nosso, ave maria, santa maria, o creio em Deus pai, salve rainha entre outras orações. Era muito amorosa, carinhosa e meiga com as pessoas, principalmente seus familiares, contudo, não gostava de queixas ou manifestação de pessimismo, era totalmente avessa a atitudes que caracterizavam o muro de lamentações.
_Uma das coisas mais impressionantes é o método com que ela nos ensinou. A seu modo, ela pouco verbalizava, mas sobretudo, ela nos "ensinou na prática", fazendo acontecer todos os dias. É o que os especialistas chamam de "educar pelo exemplo".
_É por isso que ela, ao longo de sua vida, obteve dos familiares e da comunidade da Trizidela formada por pescadores, vazanteiros, quebradeiras de coco, confeiteiros, produtores de azeite de coco e agricultores o repeito e o carinho. Quando iam fazer compras na sua barraca, as pessoas aproveitavam para se orientar com os conselhos de Elvira. Tão especial era ela, que muitas vezes, fez o parto de muitas mães que tiveram seus bebês vindos ao mundo pelas suas mãos de Elvira.
_De fato de todo cabedal de conhecimentos que aprendemos na convivência com Elvira, está muito forte em nós seus ensinamentos, entre os quais destacamos: "lute para ser autônomo e independente, para não ocupar os outros, pois quando você precisar ocupar alguém em seu benefício verás que tens poucos ou nenhum amigo. Você ou qualquer outra pessoa terá alta probabilidade de fazer isso, se abolir de sua vida o desperdício, o trivial e o que não é necessário nem interessante".
_Assim, concluímos afirmando que o legado de Elvira não será esquecido, uma vez que os seus filhos, e quase todos os netos e bisnetos o admiram, respeitam e guardam suas premissas e diretrizes para uma vida melhor. Dessa adorável mulher e da sua concepção pelos valores por ela demonstrados e defendidos, ficou em nós a impressão de que ela, aos 98 anos, faleceu muito cedo. Porém graças a Deus deixa o seu legado, um legado cheiroso, que podemos assim exprimir na linguagem do poeta Cartola: "simplesmente as rosas exalam o perfume que guardam de ti" Oh Elvira! Esse teu perfume continuará a exalá nos descendentes de tua árvore genealógica composta por 07 filhos, 20 netos e 24 bisnetos e inúmeros tataranetos.
ASSIM ME DESPEÇO DE ELVIRA ROSA MONTEIRO MINHA GRANDE, BELA E DOCE MÃE!
OBRIGADO POR TUDO!
QUE DEUS A TENHA NO REINO DOS CÉUS!
EIS ALGUMAS COMENTÁRIOS EXTRAS: ORIGEM
Mamãe, quem é Dona Elvira?
Me chamo Elvira Rosa Monteiro, brasileira, nascida em 01/09/1920, conforme meus documentos, contudo, no registro, sou do ano de 1921, natural do Município de São Felix no Estado do Piauí. Sou viúva de Manoel Flor Monteiro, com que vivi durante 59 anos. Tive ao longo dos meus 96 anos acumulado, várias profissões, obviamente sem contar com a de doméstica, ou seja, dona de casa. Nos meus documentos a minha RG tem número 5145893-4, – data da emissão da RG 01/02/1993-SESP/Maranhão, CPF-571.247.873-00, CTPS de n°060389-série 637. Sou domiciliada nesta cidade de Bacabal, à Trav. Maria Helena, n° 01, Bairro da Trizidela, CEP 65700-000,
Mamãe, de onde Sra Dona Elvira veio?
Minha descendência familiar por parte de pai no Piauí, descende de Serafim Monteiro dos Silva de quem sou filha. Meu pai foi residente no Município de São Felix do Piauí, foi lavrador criador de cabras. Meu pai Sarafim foi criado pelo Tenente Doca Mesquita, latifundiário, proprietário de fazendas no mesmo município. Serafim era o homem de confiança e principal cumpridor das ordens do Tenente Doca. Dentre as tarefas estavam cuidar do gado e das criações, das finanças da fazendo, uma vez que os filhos do tenente eram pessoas portadoras de deficiência mental leve. O capitão Doca tinha dois filhos excepcionais, uma delas chamava-se “Donina”, e o outro Ricardo, padrinho de minha mãe D. Elvira. Serafim trabalhava na fazenda “águas belas” próximo de São Felix. Serafim sabia ler, escrever e contar, ensinado que foi pelo Capitão Doca. Com essas competências tornou-se o homem de confiança, contador e cuidador da fazenda do capitão.
Mamãe, quem são seus filhos Dona Elvira?
Meus filhos são a razão de minha vida e da vida de seu pai. Foram muitos, alguns morreram e outros sobreviveram. Fui para Teresina porque não queria que eles morressem mais. São eles:
Evangelho Monteiro, filho primogênito, nasceu no dia 21/09/1940, em São Felix do Piauí.
Elpídia nasceram são Felix do Piauí.
Chagas de Cristo Flor Monteira
Lourdes e Raimundo em Teresina.
Ramos e Manoel filho em Bacabal/MA
Mamãe, dá pra descrever melhor seus pais e familiares
"Meu pai trabalhava de roça nas terras do patrão, mas cuidava também de próprias ovelhas e era um homem muito considerado pelo capitão".
Meu avô, Lino Monteiro da Silva, que foi escravo do pai do Capitão Gerêmias pai do Tenente Doca Mesquita, falecido em 1937; minha avô Maria Custódia do Santos nasceu depois da lei do ventre livre. Família por parte de mãe: Lina Rosa de Oliveira, primeira esposa de Serafim Monteiro da Silva, meu pai, depois ele casou-se com Enedina Monteiro da Silva;
Os meus irmãos são Euclides Monteiro da Silva, Tomé Monteiro da Silva, Elvira Rosa Monteiro, Luís Monteiro da Silva, Ermína Rosa de Oliveira, Maria José de Oliveira, Francisca de Oliveira. Euclides Monteiro da Silva, padrinho do Elpídia – a prole do tio Euclides não foi conhecida pela minha mãe D. Elvira. Tomé Monteiro da Silva, padrinho do Evangelho - a prole do tio Tomé não foi conhecida pela minha mãe D. Elvira.
Origem (continuação)
Elvira Rosa Monteiro - produziu sua prole pois casou aos dezenove anos com o meu pai Sr. Manoel Flor Monteiro. Luis Monteiro da Silva - não produziu prole pois tiveram paralisia infantil. Ermína Rosa de Oliveira – não produziu prole pois tiveram paralisia infantil, contudo estudou e tornou-se professora. Francisca de Oliveira – casou-se com o Sr. Francisco, militar, que teve de se aposentar cedo em função de um problema no braço, teve 03 filhas todas residindo em São Paulo. Do segundo casamento Serafim teve com Enedina, 03 três filhos que são Chagas, Mariazinha e Miguel Família por parte de mãe Lina Monteiro: Elvira tia, Luiza custódia, Pedro Custódio
Filhos:
Mãe quais foram as suas atividades profissionais: Começou a trabalhar com 08 anos acompanhando o pai, ia deixar o cuscuz, encoivarar, juntar garranchos, ajudar a plantar. naquela tarefa foi até aos 16 anos. Quando Elvira completou 14 anos foi presenteada com a uma máquina de costura. Aprendeu vendo a Sra Dina costurar e seguindo suas orientações tornou-se ótima costureira. Mais tarde a Sra Dina veio a falecer de parto e Elvira a substitui nas atividades de costureira. Elvira abre uma espaço para falar que dada as ausentes políticas públicas de saúde no Estado do Piauí, no que tange a saúde, essencialmente, a carência de pré natal, foi que sua instrutora, a Dona Dina veio a falecer.
Minha rotina era ir para roça as 06 horas de manhã, vigiar a roça, visto que os papagaios e periquitos, araras, jacús, atacavam as plantações nas primeiras horas da manhã. As aves eram espantadas com baladeiras ou fundas. O almoço era preparado, uma vez que munida do papa fogo, o acendia para assar milho e/ou alguma ave que por ventura fosse abatida na vigília da roça.
Mamãe continua o relato: confeccionei vestidos para senhoras, calça para homens, camisa, calções. As peças de roupas em média custavam mil reis, 5 tostão, etc. Dos 16 anos até aos 25 anos trabalhei fortemente de costura. Teve como clientes os vizinho. Em Teresina tive como cliente o exército, no qual através da costura preparava a farda dos militares.
Minha família nasce da união com o Sr Manoel Flor Monteiro: Papai, Manoel Flor Monteiro (1917 a 1998), era carroceiro, depois lavrador, nasceu no Piauí, a exemplo de mamãe teve várias profissões, quando jovem, recém casado trabalhava na lavoura, contudo, de espírito empreendedor era comprador e revendedor de galinhas, compradas na região de São Felix do Piauí e revendia em Teresina Piauí. Manoel, de hábitos simples: oriundo de família humilde, casou-se ainda jovem com Elvira, em São Felix do Piaui.
FILHOS EM ORDEM CRONOLÓGICO
Evangelho Monteiro – 1º filho - Nasceu em 21 de setembro de 1940 em Elpídia Monteiro dos Santos – 2º filho; Francisca das Chagas Silva Monteiro – 3º filho; Maria de Lourdes Barros Monteiro – 4º filho; Raimundo Flor Monteiro – 5º filho; José Ramos Silva Monteiro – 6º filho; Manoel Filho Monteiro – 7º filho.
Mãe conta um pouco da história do tio Luís?
Influência maior: Tio Luís - Luís Monteiro da Silva, adquiriu paralisia infantil, ainda criança, portanto, desde criança paralítico. Em 1980, quando chegou a se aposentar, tornasse ampla e totalmente independente. Um homem de fino trato, gentil, alegre e sobretudo muito carinhoso. Exerceu enorme influência em todos nos pelo seu carisma, inteligência e capacidade de raciocinar com uma calma impressionante. Mesmo paralítico, teve uma vida sexual intensa, pois dinheiro nunca lhe faltou. De tão atencioso e inteligente, era capaz de conversar o dia todo, com qualquer um dos irmãos. Sua estórias eram famosas, entre elas podemos destacar a de "José e o porco de engorda" e as estórias de tio Euclides, dentre outras. Adorava seus sobrinhos, os tratava como filhos e lhes fazia muito carinho a cada um.
Meticuloso, gostava sempre de está banhado e com a barba bem feita. Oque ele mais gostava era corta as unhas, pentear o cabelo e sobretudo esfregar lhe às costas. Nunca quis esses serviços gratuitamente e sempre os pagava generosamente aos seus prestadores de serviço. Eu era um.
CRONOLOGIA DE NASCIMENTO DOS FILHOS
• Evangelho
Monteiro
• Data
de nascimento: 1940
• Profissão: Comerciante -Pedreiro.
• Estado
civil: Casado
• Filhos:
Flávio Silva Monteiro, Francisco Neres Monteiro e Elizete Silva Monteiro
• Residente: Rua Maria Helena, 28 - Bairro Trizidela - Bacabal-MA
• Escolaridade: Primário Incompleto
• Elpídia Monteiro dos Santos
• Data do Nascimento: 1942
• Profissão: Comerciante
• Estado civil: Solteira
• Filhos: Regina, Raimundo, Rosimar, Rosangela e Rosemary
• Residencia: Rua Capitão José Antoni, 30 Bairro Trizidela - Bacabal-MA
• Escolaridade: Primário completo
• Elpídia Monteiro dos Santos
• Data do Nascimento: 1942
• Profissão: Comerciante
• Estado civil: Solteira
• Filhos: Regina, Raimundo, Rosimar, Rosangela e Rosemary
• Residencia: Rua Capitão José Antoni, 30 Bairro Trizidela - Bacabal-MA
• Escolaridade: Primário completo
• Francisca das Chagas
• Data do Nascimento: 1952
• Profissão: Comerciante
• Estado civil: Viúva
• Filhos: Edson e Francisca
• Residencia: Porto Velho
• Escolaridade: Primário completo
• Maria de Lourdes Barros Monteira
• Data do Nascimento: 1954
• Profissão: Comerciante
• Estado civil: Casada
• Filhos: Nilson, Adailson, Sheila e Alison
• Residencia: Rua Capitão José Antonio, 30 Bairro Trizidela - Bacabal-MA
• Escolaridade: Ginásio Completo
• Raimundo Flor Monteiros
• Data do Nascimento: 1956
• Profissão: Instrutor - Pedagogo
• Estado civil: Casado
• Filhos: Anderson, Alderson e Elvira Neta
• Residencia: 2a Trav. Raimundo Correa n. 10. Monte Castelo - SLZ-MA
• Escolaridade: Licenciado em Mecânica e Pedagogia; Especializações: Gestão de Pessoas, Gestão de Projetos educacionais e Supervisão Escolar; Mestre em Educação
• Elpídia Monteiro dos Santos
• Data do Nascimento: 1942
• Profissão: Comerciante
• Estado civil: Solteira
• Filhos: Regina, Raimundo, Rosimar, Rosangela e Rosemary
• Residencia: Rua Capitão José Antoni, 30 Bairro Trizidela - Bacabal-MA
• Escolaridade: Primário completo
• Elpídia Monteiro dos Santos
• Data do Nascimento: 1942
• Profissão: Comerciante
• Estado civil: Solteira
• Filhos: Regina, Raimundo, Rosimar, Rosangela e Rosemary
• Residencia: Rua Capitão José Antoni, 30 Bairro Trizidela - Bacabal-MA
• Escolaridade: Primário completo
• Francisca das Chagas
• Data do Nascimento: 1952
• Profissão: Comerciante
• Estado civil: Viúva
• Filhos: Edson e Francisca
• Residencia: Porto Velho
• Escolaridade: Primário completo
• Maria de Lourdes Barros Monteira
• Data do Nascimento: 1954
• Profissão: Comerciante
• Estado civil: Casada
• Filhos: Nilson, Adailson, Sheila e Alison
• Residencia: Rua Capitão José Antonio, 30 Bairro Trizidela - Bacabal-MA
• Escolaridade: Ginásio Completo
• Raimundo Flor Monteiros
• Data do Nascimento: 1956
• Profissão: Instrutor - Pedagogo
• Estado civil: Casado
• Filhos: Anderson, Alderson e Elvira Neta
• Residencia: 2a Trav. Raimundo Correa n. 10. Monte Castelo - SLZ-MA
• Escolaridade: Licenciado em Mecânica e Pedagogia; Especializações: Gestão de Pessoas, Gestão de Projetos educacionais e Supervisão Escolar; Mestre em Educação
• José Ramos de Flor Monteiro
• Data do Nascimento: 1958
• Profissão: Pedreiro e Comerciante
• Estado civil: Casado
• Filhos: Raquel, Rafael, Rafisa, Rani e Rogelma
*Raquel, Rafael e ...
• Residencia: Rua Maneco Mendes - Bairro Trizidela - Bacabal-MA
• Escolaridade: Ginásio Completo
• Manoel Filho Flor Monteiro
• Data do Nascimento: 1960
• Profissão: Comerciante
• Estado civil: Solteiro
• Filhos: Não teve
• Residencia: Rua Maria Helena - Bairro Trizidela - Bacabal-MA
• Escolaridade: Primário Completo
GALERIA DE FOTOS:
![]() |
| Maria de Lourdes e Elvira Rosa Monteiro |
![]() |
| Elvira Monteiro consola seu filho Raimundo Flor após se aposentar |
![]() |
| Elvira e Raimundo - O dia todo conversando |
![]() |
| UMA DE MINHAS VISITAS E MAMÃE EM 2017 - ELA ESTAVA BEM DE SAÚDE. |
![]() |
| ANIVERSÁRIO DE 75 ANOS DE MAMÃE. |
| MAMÃE AOS 95 ANOS |
| GOSTA DE SORRIR. SE PREOCUPAVA MUITO COM OS FILHOS. |
| MAMÃE E DONA RAY AOS 95 ANOS. |
| NESTE DIA ELA ESTAVA RADIANTE. |
| LINDA, LINDA AO ESBOÇAR ESSE SORRISO. |
| COM UM SORRISO ESTAMPADO NOS LÁBIOS |
| MAMÃE E SUA NETA RAQUEL - FILHA DE JOSÉ RAMOS |
| RAQUELZINHA E MAMÃE |
| RAQUEL E MAMÃE ERAM MUITO APEGADAS. |
| RAFAEL, MAMÃE E EVANGELHO SEU PRIMOGÊNITO. |
| EVANGELHO, RAFAEL E MAMÃE AOS 95 ANOS DE MAMÃE. |
| ROSANGELA, FILHA ELPÍDIA E MAMÃE, AO LADO EVANGELHO |
| MAMÃE E A FAMÍLIA DE ELIZETE E RAIMUNDO |
| ELVIRA MÃE E ELVIRA FILHA |
| ALEXANDRE, HOJE ESPOSO DE ELVIRA NETA E MAMÃE |
| ELVIRA, MAMÃE E ALEXANDRE CAMEPUM. |
| RAFAEL, MAMÃE E RAQUEL |
| Adicionar legenda |
| ELVIRA E OS BISNETOS RAFAEL (RAMOS)E NALDO (REGINA). |
| OS BISNETOS RAFAEL E NALDO |
| RAQUEL E SEUS ESPOSO MILTON POUSAM COM MAMÃE. |
| MAMAE SUA NETA SHEYLA E SEU BISNETO |
| MAMAE E SUA BISNETA |
| MAMÃE E SUA BISNETA E O ESPOSO |
| ELVIRA E ROSIMAR SUA NETA |
| UM MOMENTO DE DESCONTRAÇÃO |
| LINDO ESSE SORRISO |
| MAMA MIA EU TE AMOS |
| O SORRISO DE MAMÃE |
| QUADRO TRADICIONAL DE MAMÃE E PAPAI |
| MAMÃE AOS 28 ANOS |
| MAMÃE AOS 88 ANOS |
| SORRISO LINDO DE MAMÃE |
| PREPARAÇÃO PARA LIMPEZA DE PELE |
| LIMPEZA DOS PÉS |
| LIMPEZA DE PELE CORPORAL DOS PÉS. |
| LIMPEZA DE PELE CORPORAL |
| LIMPEZA DE PELE CORPORAL |
| O LINDO SORRISO DE MAMÃE |
| LIMPEZA DE PELE CORPORAL DOS BRAÇOS |
| LIMPEZA DE PELE CORPORAL |
| LIMPEZA CORPORAL COM APLICAÇÃO DE MEDICAMENTOS |
| UM DIA DE RAINHA - LIMPEZA DE PELE |
| CUIDANDO DA PELE |
| QUE OLHOS LINDOS, ESSES DE MAMÃE |
| OPERAÇÃO DE LIMPEZA DE PELE |
| CONCENTRADA PARA APLICAÇÃO DE CREMES DE LIMPEZA DE PELE |
| TEMPO PARA PENETRAÇÃO DA MÁSCARA DE OURO NA PELE |
| MASCARA DE OURO PARA LIMPEZA DE PELE DE MAMÃE |
| APLICAÇÃO DE MASCARA DE OURO PARA LIMPEZA DE PELE |
| LIMPEZA DE PELE |
| INÍCIO DA LIMPEZA DE PELE |
| CONCENTRAÇÃO PARA A LIMPEZA DE PELE |
| APÓS A LIMPEZA DE PELE REALIZADA POR D. RAY |
| AOS 91 POR OCASIÃO DA LIMPEZA DE PELA FACIAL E CORPORAL, FORMOS A BACABAL PARA REALIZAR ESSE SERVIÇO. MAMÃE FICOU MUITO FELIZ. |
![]() |
| AOS 70 ANOS DE IDADE MAMÃE ESTA FORTE E BEM VIGOROSA. |
![]() |
| MAMÃE AOS 70 ANOS DE IDADE ANOS 80. |
![]() |
| ACREDITO QUE ESSA FOTO É DO FINAL DOA ANOS 80. |
| FOTOGÊNICA, ELA ADORAVA TIRAR FOTOS COMIGO. E DIZIA: "NÃO SEI PORQUE VC QUER TANTAS FOTOS DE UMA VELHINHA". |
![]() |
| O CASAL NOS ANOS 50 EM TERESINA PIAUÍ. |
| ESSE SORRISO NÃO ME SAI DO CORAÇÃO. ELES SE RESERVAVAM PARA TODOS E EM ESPECIAL AQUELES QUE MAMÃE AMAVA. |
| ELVIRA E SEU NETO FÁVIO E O FILHO EVANGELHO |









